Destaque para Yuki Kudo, que dá voz á Saya. Atriz conhecida internacionalmente por filmes como; "Memorias de uma gueixa" e "Mystery Train".
Direção: Hiroyuki Kitakubo
Roteiro: Kenji Kamiyama
Trilha Sonora: Yoshihiro Ike
Estudio: Production I.G, Aniplex
O live Action
Tive o prazer de assistir esse filme no lançamento, ao lado do meu pai e as impressões que ficaram, foram as melhores possíveis. Revi-o novamente e apesar das muitas criticas, continuo o achando um bom filme, para uma sessão pipoca. Lançado em 2009, em uma co-produção envolvendo os países; França, Hong Kong e Reino Unido, Blood: The Last Vampire é um remake/adaptação do longa animado homônimo dos 2000. Sendo concebido com as bênçãos do estúdio Production IG, o live action trouxe uma estreante; a atriz coreana Jeon Ji-hyeon no papel principal, que se mostrou uma Saya muito mais delicada que a original.

O enredo é basicamente o mesmo, mas como não poderia deixar de ser, a trama é mais desenvolvida. E apesar de sua caçada aos “chupadores de sangue” ainda se mostrar como um importante fator de introdução, o foco agora é na personagem Saya, que está busca de vingança contra Onigen, um demônio antigo e muito poderoso que assassinou seus pais. Ela ajuda a “organização” em troca de informações sobre o paradeiro de Onigen e juntamente com sua Katana, sai á caça de quirópteros (nome científico de animais da família dos morcegos) que se infiltraram na base americana.

O clichê americano fica mais visível com a introdução da personagem Alice McKee (Allison Miller), uma garota meio rebelde, filha de general ao qual acabará se tornando alvo das bestas. Originalmente a personagem era uma professora da escola na base militar, que também virou alvo e teve que ser protegida por Saya. A dinâmica entre Saya e Alice funciona bem e lembra os excelentes animes do estilo "girls with guns", com a diferença que Alice é extremamente inútil e seu papel é ser a mocinha em constante perigo.
Varias das seqüências originais do anime, estão presentes no live action e ficaram excelentes, como o inicio do filme, com Saya dentro do metrô em movimento já mostrando seus excepcionais dotes de açougueira ou umas das seqüências finais da versão em anime: Uma das cenas mais emblemáticas e que mostram em como Saya, apesar de tudo ainda mantém sua "humanidade".

Os elementos do filme original, estão li, todos inseridos na primeira parte do filme e mudanças significativas – além de necessárias para dar corpo ao longa – já na segunda metade. O diretor Chris Nahon resolveu colocar um pouco mais de adrenalina, através de cortes extremamente rápidos, close-ups, pitadas de lapso de tempo, câmera lenta e todo um jogo visual que deu muito certo. Há duas cenas incríveis; um nas ruas de Tokyo entre Saya e os vampiros. Sozinha, Saya decepa e fatia um exército enorme de bestas sanguinárias. Foi uma das cenas mais bonitas em termos de fotografia, quando ela foi encurralada em um canto e precisava lutar e ainda proteger a Alice. Enquanto a chuva caia, ela dançava sua valsa sangrenta. Foi uma excelente montagem. Saya praticamente flutua no ar, como se fosse uma pétala de cerejeira sendo levada pelo vento. A outra se deu através de uma tomada feita usando recursos de flashbak, voltando ao inicio do século 16, onde ficamos sabendo de toda a história envolvendo Saya e seu ódio mortal ao demônio que lhe apresentou o “inferno”.

Ao contrário da versão original, este live action não tem a mesma beleza poética e sombria e nem o primor técnico. O lado terror também é deixado de lado e nem mesmo o suspense se faz presente. É apenas um filme “pipocão”, muito acima das adaptações americanas que estamos acostumados á ver atualmente. O sangue utilizado foi totalmente em CGI, o que deu um ar muito artificial á algumas cenas. Ficou tão exagerado que o filme passa em alguns momentos a impressão de ser um trash-b. As atuações estavam boas de um modo geral e a atriz Jeon Ji-hyeon, mesmo não chegando nem perto do que é a Saya originalmente, conseguiu transmitir sinceridade no papel.
Título no Brasil: Caçadores de Vampiros
Título Original: Blood: The Last Vampire
País de Origem: Hong Kong / Japão / França
Gênero: Suspense, Ação, Artes Marciais
Classificação etária: 16 anos
Tempo de Duração: 91 minutos
Ano de Lançamento: 2009
Direção: Chris Nahon
O nascimento da franquia Blood
O co-fundador e atual presidente do estúdio de animação Production IG, Mitsuhisa Ishikawa, queria produzir um projeto original, que não fosse adaptado de nenhuma outra mídia existente. Mamoru Oshii (diretor do cultuado Ghost in the Shell) na época realizava palestras com novos cineastas e á pedido de Mitsuhisa, propôs que lhe apresentassem idéias. As propostas de Kenji Kamiyama e Fujisaki Junichi acabaram se tornando a base do filme. As escolhas se mostraram um importante trunfo para o sucesso do filme, que com a liberdade artística dada á Hiroyuki Kitakubo, pode conduzir a obra que seria considerada um marco por ter sido a primeira a não ser feita em acetato.
A escolha de Katsuya Terada (Devilman) para o posto de character designer acabou dando ainda mais vida ao projeto, que com um traço marcante e detalhista, deu um visual próprio a cada um dos personagens. E apesar do resultado final ter ficado bem curto (em torno de 45 minutos), Blood: The Last Vampire acabou sendo dividido em três partes pelo Production IG, com o lançamento de uma Light Novel e um jogo para PlayStation 2.
Ainda, foi lançado um mangá de volume único com o titulo Blood: The Last Vampire 2000, que serve como complemente para a história do filme animado. Para continuar lucrando com o titulo, em 2005 foi lançando o spin-off da série Blood, que ganhou um anime de 50 episódios, com o nome de Blood +, que se passa em um universo alternativo. Na próxima temporada de Verão/2011, ainda estréia a nova aposta na franquia, que recebeu o nome de Blood-C, com o marketing das meninas do CLAMP, que contribuiram para o character designer, a nova série continuará com a parceria entre Production IG e Aniplex.
Comentários gerais
A única grande critica á Blood: The Last Vampire, é quanto á falta de clareza quanto a origem de Saya, que só fica evidente no mangá. Saya, é a última vampira que sobrou de sua raça e caça quirópteros usando uma katana. Ela é constantemente chamada de a “única original remanescente”. Ao contrário da crença comum, ela não sofre de todas as vulnerabilidades clássicas atribuídas aos vampiros, como a luz do sol, além de ter força e sentidos super-humanos, desenvoltura e habilidade. Apesar da aparência eterna de uma garotinha de aproximadamente 16 anos, Saya já passa dos 400 anos. Aparentemente ela é um hibrido, sendo metade humana e metade vampira, motivo dela ser constantemente chamada de mestiça. Sendo estes dados acima, a única informação precisa sobre ela.
Eu li certa vez, que este era um filme para quem gosta de ver sangue jorrando pra todos os lados! Considero um crime rotular uma obra como Blood The Last Vampire assim. Não se trata de filme cheio de fanservices e sim um trillher fantástico para quem deseja ter um excelente entretenimento, com um bom roteiro e sequências/cenas capazes de impressionar pelo visual, mesmo com um enredo tão básico e simplório. O estúdio IG é um dos meus preferidos, tecnicamente é um estúdio que consegue imprimir qualidade até mesmo em suas obras mais medianas. Pode não ser um dos mais badalados e dos mais queridinhos dos otakus, mas merece o respeito que conquistou.